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A Igreja que moldou a Noruega: tradição, secularização e renovação após Harald V

Num país profundamente secular, mas ainda marcado por séculos de tradição cristã, a Igreja Luterana da Noruega continua a ser o coração religioso da nação — uma instituição que acompanhou reis, reformas, desculpas históricas e mudanças sociais profundas. Após a morte de Harald V, último monarca a exercer autoridade espiritual sobre ela, a Igreja revela hoje uma face moderna, inclusiva e surpreendentemente progressista.

A Igreja Luterana da Noruega, durante séculos religião oficial do Estado, mantém ainda hoje mais de 60% da população como membros — cerca de 3,4 milhões de fiéis.

Embora a sociedade norueguesa seja altamente secular, a Igreja continua central nos ritos de passagem: batismos, confirmações, casamentos e funerais.

A separação formal entre Igreja e Estado ocorreu em 2012, retirando ao rei o papel de Governador Supremo, mas a Constituição ainda exige que o monarca seja membro e que o Estado a apoie como “Igreja Nacional”.

Com posições teológicas amplamente liberais, a Igreja ordena mulheres há décadas, aceita clérigos homossexuais desde 2007 e celebra casamentos entre pessoas do mesmo sexo desde 2016.

Em 2025, pediu desculpas públicas pela discriminação histórica contra pessoas LGBTQ+. Entre as suas figuras mais emblemáticas está Sunniva Gylver, Bispa de Oslo, conhecida por unir liturgia, ioga, dreadlocks e defesa de direitos sociais.

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