Há dois anos, em 22 de outubro de 2024, morria Gustavo Gutiérrez, o sacerdote peruano que ousou proclamar que o Evangelho de Jesus de Nazaré começa pelos pobres — e que a fé só faz sentido quando desce ao chão da história. Advertido pelo Vaticano, acusado de marxista e celebrado como profeta, Gutiérrez deixou uma teologia horizontal, nascida das favelas latino‑americanas, que redefiniu a missão da Igreja e incendiou debates que ainda hoje dividem púlpitos e consciências.
O teólogo peruano, considerado o “pai” da Teologia da Libertação, enfrentou longos anos de escrutínio e diálogo tenso com o Vaticano (especialmente com a Congregação para a Doutrina da Fé, liderada pelo Cardeal Ratzinger). As suas objeções foram tratadas através de documentos escritos e debates doutrinários internos.



