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Papa na UNESCO: o alerta que ecoou em Paris sobre tecnologia, dignidade e futuro humano

Diante de 1.400 pessoas na sede da UNESCO, em Paris, o Papa Leão XIV lançou um dos discursos mais marcantes da sua viagem à França: um apelo urgente para que a inteligência artificial permaneça ao serviço da pessoa humana, nunca como instrumento de dominação. Entre referências à dignidade, à paz e ao “oxigénio da alma” que é o sentido, o Papa pediu um multilateralismo renovado e a proteção das crianças na era digital — num momento em que os Estados Unidos se preparam para deixar a organização.

O Papa Leão XIV fez história ao visitar a UNESCO, 46 anos depois de João Paulo II. No maior salão da organização, perante representantes de dezenas de países, o Pontífice reafirmou que a tecnologia — especialmente a inteligência artificial — deve servir a humanidade, nunca substituí-la. “As máquinas podem correlacionar dados, mas não respondem às perguntas sobre o sentido da vida”, afirmou, defendendo que o progresso sem ética conduz à desumanização.

O Papa alertou ainda para o risco de sociedades que julgam pessoas apenas pela produtividade, descartando quem deixa de ser considerado “útil”. Pediu salvaguardas para crianças e jovens no ambiente digital, sublinhando que a vulnerabilidade não pode ser explorada.

A visita reforçou a parceria histórica entre a Santa Sé e a UNESCO, que celebrará 75 anos em 2027. Leão XIV recordou o preâmbulo da Constituição da organização — “as guerras começam na mente dos homens” — e defendeu que a paz só é verdadeira quando nasce da justiça e da responsabilidade ética.

Num momento em que os EUA anunciam a saída da UNESCO, o Papa deixou uma mensagem de confiança: “O bem é sempre possível.” Uma frase que ressoou como convite à cooperação internacional num mundo marcado por conflitos, desigualdades e desafios tecnológicos sem precedentes.

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