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No Simpósio sobre Educação e Escola em Portugal, em Fátima, D. José Tolentino Mendonça deixou um alerta firme: a inteligência artificial pode apoiar a aprendizagem, mas nunca substituir a relação viva entre professor e aluno. O cardeal defendeu uma escola que preserve o diálogo, a escuta e o pensamento crítico, valorizando o silêncio interior, a liberdade de dizer não e a capacidade de pensar com a própria cabeça. A tecnologia, afirmou, deve servir a dignidade humana — nunca escrever o futuro por nós.
Tolentino Mendonça defende que inteligência artificial não pode substituir a relação entre professor e aluno
Na intervenção no Simpósio sobre a Educação e Escola em Portugal, em Fátima, D. José Tolentino Mendonça recorreu a imagens que ajudam a compreender a missão de educar num tempo marcado pela inteligência artificial.
- Os mapas incompletos
Como os navegadores portugueses, que partiam com mapas onde ainda não estava desenhado todo o mundo que iriam encontrar, os educadores enfrentam um futuro desconhecido. A tradição educativa continua a ser necessária, mas exige abertura para observar, corrigir percursos e traçar novas rotas. - A bússola da dignidade humana
Os mapas não bastam: é preciso uma bússola. Para o cardeal, essa orientação é a dignidade integral da pessoa humana, revelada em Jesus Cristo. A tecnologia deve servir a liberdade e o crescimento de cada pessoa, segundo o princípio de «colocar a pessoa antes do algoritmo». - O educador como parteiro
A máquina pode transmitir informação; o professor pode ajudar a fazer nascer uma vocação. Tolentino apresenta o educador como alguém que reconhece capacidades, compreende fragilidades e dá confiança. O acompanhamento pessoal ultrapassa aquilo que uma resposta tecnológica consegue oferecer. - A rosa do Principezinho
Evocando Saint-Exupéry, o cardeal recorda que é o tempo dedicado à rosa que a torna importante. Também na educação, o tempo de escuta, encontro e diálogo constrói confiança. Se a inteligência artificial poupa tempo, esse tempo deve ser investido na relação educativa. - As constelações interiores
Para seguir as estrelas, é preciso levantar os olhos e reconhecê-las. Os jovens precisam também de referências dentro de si: silêncio, reflexão, oração e razões para viver. Educar é ajudá-los a reencontrar essas «constelações interiores», para que saibam usar a tecnologia sem perder o sentido da própria viagem.
Por Sergio Carvalho – Director Religiolook



